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segunda-feira, 9 de março de 2020

8 de março, hoje é dia da MULHER



O dia 8 de março é um momento especial para mulheres de todas as idades e dos mais diversos países. Isso porque é uma data estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975 em que se comemora o Dia Internacional das Mulheres. A data tem a ver com uma longa história de reivindicações de igualdade entre os gêneros.
Há vários fatos ligados à luta das mulheres pelo direito ao voto, à educação e a salários iguais aos dos homens, entre outras reclamações legítimas. Afinal, por muito tempo, as mulheres foram impedidas de estudar assuntos que não fossem relacionados a tarefas domésticas e cuidado dos filhos, de escolher representantes políticos, e de reivindicar melhores salários, entre outras coisas. A ocasião também simboliza a luta contra o machismo e a violência.

Alguns marcos dessa história

Em 1910, na cidade de Copenhague (Dinamarca), ocorreu o 2º Congresso Internacional de Mulheres Socialistas. Nesse evento, a alemã Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher. A militante era engajada em campanhas que defendiam o direito das mulheres no âmbito trabalhista e ao voto feminino. Nessa época, vários protestos e greves já ocorriam na Europa e nos Estados Unidos (desde a segunda metade do século 19).
Em 1911, houve um incêndio de viria a ser lembrado como evento simbólico das condições precárias de trabalho das mulheres. Foi na cidade de Nova York, no dia 25 de março de 1911, na Triangle Shirtwaist Company e deixou 146 mortes (125 mulheres e 21 homens). As causas desse incêndio foram as péssimas instalações elétricas, a grande quantidade de tecido presente no local. As portas da fábrica estavam fechadas no momento (proprietários de fábricas trancavam seus funcionários na fábrica durante o expediente como forma de conter motins e greves) e os trabalhadores não tiveram como fugir do fogo.
Outro evento importante aconteceu em 08 de março de 1917, na Rússia. Trabalhadoras do setor de tecelagem entraram em greve e reivindicaram a ajuda dos operários do setor de metalurgia. Essa data entrou para a história como um grande feito de mulheres operárias e também como prenúncio da Revolução Russa. Ao longo do século 20, as manifestações organizadas continuaram e algumas conquistas foram obtidas.
Em 1968, ocorreram inúmeros protestos em diversas partes do mundo, entre eles a famosa “queima dos sutiãs”, realizada por 400 ativistas do Women’s Liberation Movement (WLM) durante o concurso de Miss America, nos Estados Unidos. As ativistas aproveitaram a realização do concurso para jogar no chão do local do evento sutiãs e outros objetos femininos como símbolo de opressão. Além disso, desdobraram uma grande faixa com o slogan “Liberação Feminina” dentro do salão de competição. Com isso, atraíram atenção da imprensa e da sociedade para o Movimento de Libertação das Mulheres. A “queima” propriamente dita nunca chegou a acontecer, pois se tratava de um espaço privado,  mas o ato foi associado à queima de documentos realizada por jovens em oposição à Guerra do Vietnã.
O fato é que depois da Segunda Guerra Mundial, o dia 08 de março tornou-se aos poucos o símbolo principal de homenagens às mulheres. A partir dos anos 1960, a comemoração já tinha se tornado tradicional, mas foi oficializada pela ONU apenas em 1975, quando essa organização declarou o Ano Internacional das Mulheres, como uma ação voltada ao combate das desigualdades e discriminação de gênero em todo mundo.
Embora a igualdade entre os gêneros ainda esteja longe de ocorrer, houve avanços nos direitos políticos e sociais das mulheres. E, mesmo sofrendo preconceito e enfrentando dificuldades, umas tantas mulheres conseguiram se destacar nesse cenário de desigualdade e deixaram grandes contribuições sociais, culturais e científicas à humanidade.
Vale lembrar de algumas delas. É importante deixar claro que uma lista como esta será necessariamente incompleta, mas a intenção é valorizar feitos, conquistas e figuras que fazem parte da história de ontem e de hoje.


Hipácia (350 d.C.-415 d.C)
Hipácia foi uma matemática, astrônoma e filósofa grega do Egito Romano. Considerada uma das mais importantes pensadoras da Antiguidade, é tida com a última intelectual de Alexandria. Matemática, astrônoma e filósofa grega, ficou famosa por ser uma grande solucionadora de problemas matemáticos.

Cleópatra (69 a.C.-30 a.C.)
Cleópatra foi governante do Egito. Filha do faraó Ptolomeu 12, Cleópatra tinha 18 anos quando ele morreu. Deixou como testamento a ordem de que ela reinasse ao lado do irmão Ptolomeu 13, de 10 anos. Mas ela acabou no exílio. Egípcia por criação, grega e macedônia por descendência, ela falava nove idiomas. Seu suicídio também foi espetacular: se deixou picar por uma cobra áspide, pequena e venenosa. Tinha então 39 anos.

Joana D’Arc (1412-1431)
Joana d’Arc foi uma heroína francesa e santa canonizada pela Igreja Católica. Teve papel importante na Guerra dos Cem Anos ao liderar um grupo de soldados. Obteve autorização real para marchar até Orleans e livrá-la do cerco inglês.

Dandara (???)
Companheira de Zumbi dos Palmares, Dandara foi figura relevante na defesa do Quilombo dos Palmares (destruído em 1694). Além de dominar técnicas de capoeira, ela participava ativamente na elaboração de estratégias de resistência do quilombo. Hoje é considerada oficialmente Heroína da Pátria, pela Lei nº 13.816, de 2019.

Mary Wollstonecraft (1759-1797)
Mary Wollstonecraft foi uma pioneira feminista, escritora e pensadora inglesa. Ela escreveu ficção, ensaios, um livro de viagens e outro para crianças. Sua obra A Vindication of the Rights of Woman: with Strictures on Political and Moral Subjects, de 1792 (Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher), foi o emblema de gerações de feministas: ele argumentou que as mulheres não são inferiores aos homens por natureza, mas porque não recebem a mesma educação. É mãe de Mary Shelley, autora de Frankenstein.

Maria Quitéria de Jesus (1798-1853)
A baiana Maria Quitéria de Jesus foi uma heroína da Guerra da Independência no Brasil. Ela é considera a primeira mulher no exército brasileiro. Para isso se disfarçou de homem e lutou contra os portugueses. Entre as batalhas das quais participou, esteve presente na luta pela independência do país, em 7 de setembro de 1822. Ganhou a condecoração da Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul, entregue pelo imperador do Brasil, o Dom Pedro I.

Nísia Floresta Augusta (1810-1885)

Nísia foi uma educadora, escritora e poeta brasileira, considerada pioneira do feminismo no Brasil. Pioneira na educação feminista no Brasil, atuou na área de letras, jornalismo e nos movimentos sociais, em favor da luta pela emancipação feminina. É reconhecida por seu empenho em alfabetizar meninas e mulheres. além de denunciar injustiças contra escravos e indígenas brasileiros.


Ada Lovelace (1815-1852)
Augusta Ada King, Condessa de Lovelace, mais conhecida como Ada Lovelace, foi uma matemática e escritora inglesa. Ela é conhecida como a primeira programadora do mundo, embora não existisse em sua época a ideia atual de computador. A condessa, ao lado do matemático Charles Babbage, trabalhou no projeto de uma máquina que viria a ser o protótipo de um computador.

Anita Garibaldi (1821-1849)
Anita Garibaldi, foi a “heroína dos dois mundos”. Isso porque participou no Brasil e na Itália, juntamente com Giuseppe Garibaldi, de múltiplas batalhas. Anita lutou na Revolução Farroupilha (Guerra dos Farrapos), na Batalha dos Curitibanos e na Batalha de Gianicolo, na Itália.

Emmeline Pankhurst (1858–1928)
Emmeline Pankhurst foi uma famosa sufragista britânica. Em 1903, fundou a União Política e Social das Mulheres (WSPU, na sigla em inglês) em favor do voto feminino. E lançou o lema: “Ações, não palavras”. A WSPU, próxima ao Partido Trabalhista independente, foi um fator determinante na obtenção do sufrágio feminino no Reino Unido. Ela foi presa 13 vezes, algumas com as filhas, e fez várias greves de fome.

Marie Curie (1867-1934)
A cientista, matemática e física franco-polonesa, Marie Sklodowska Curie, foi a primeira mulher do mundo a ganhar um Prêmio Nobel – feito que repetiu. Também foi primeira mulher a lecionar na Universidade de Sorbonne, em Paris. Essa cientista ganhou destaque por suas pesquisas sobre radioatividade.

Rosa Luxemburgo (1871-1919)
Rosa Luxemburgo foi uma filósofa e economista marxista. Ganhou expressão mundial pela militância ligada à Social Democracia da Polônia, e da Alemanha. Era antimilitarista e defensora da democracia no seio da revolução, e construiu uma grande produção teórica.

Isadora Duncan (1877-1927)
Isadora Duncan foi uma bailarina norte-americana, uma pioneira da dança moderna. Criou uma dança livre das técnicas do balé clássico e se apresentava com trajes esvoaçantes, cabelos soltos e pés descalços. Sua técnica tinha como base os movimentos naturais do corpo, como o andar, correr e saltar.

Eleanor Roosevelt (1884-1962)
A nova-iorquina Eleanor Roosevelt foi uma diplomata americana e ativista. Atuava na defesa da garantia dos direitos humanos e das mulheres. De 1933 a 1945, foi a primeira-dama dos Estados Unidos. Em seguida, tornou-se embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU). Esteve na presidência da comissão que redigiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Tarsila do Amaral (1886-1973)
Pintora e desenhista, a paulista Tarsila do Amaral é um dos maiores nomes do movimento modernista no Brasil ao lado de Anita Malfatti. Além de inovadora no campo das artes, foi corajosa no âmbitos dos costumes, ao se casar duas vezes. Com Oswald de Andrade, Tarsila participou da criação do movimento Antropofágico.

Carlota Pereira de Queirós (1892-1982)
A médica paulista Carlota Pereira de Queirós foi a primeira mulher eleita deputada no Brasil, em 1934. No período em que ocupou a cadeira de deputada federal, era a única mulher dentre os mais de 250 deputados. Era ativista pelo reconhecimento dos direitos das mulheres. Em 1942, foi eleita membro da Academia Nacional de Medicina. E, em 1950, participou da fundação da Academia Brasileira de Mulheres Médicas.

Amelia Earhart (1897-1937)

Amelia Earhart foi pioneira na aviação dos Estados Unidos. Foi defensora dos direitos das mulheres e a primeira aviadora a cruzar sozinha o Oceano Atlântico. Recebeu a condecoração The Distinguished Flying Cross pelo feito.

Rosa Parks (1903-2005)
Rosa Parks foi uma ativista símbolo do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Ela entrou para a história por ter se negado a ceder o assento do ônibus a um branco, em Montgomery, no Alabama. Isso ocorreu em 1º de dezembro de 1955 e marcou luta contra o racismo naquele país.

Nise da Silveira (1905-1999)
A médica Nise da Silveira foi uma psiquiatra alagoana, reconhecida por revolucionar os tratamentos psiquiátricos brasileiros. Discordava completamente dos métodos aplicados na época, principalmente com os esquizofrênicos, como era o caso da aplicação de eletrochoque e lobotomia. Acreditava em um tratamento humanizado, com o uso das artes plásticas, por exemplo. 

Frida Kahlo (1907-1954)
Frida Kahlo foi uma artista plástica mexicana que produziu uma obra muito pessoal, de  cores vibrantes e inspiração surrealista. Suas produções buscavam representar as suas paixões, dor, sofrimento e perseverança, fruto de uma história de vida marcada por muitos problemas de saúde, como a poliomielite contraída na infância e um grave acidente de trânsito na juventude. Por sua atuação em defesa do direito das mulheres, tornou-se um símbolo do feminismo.

Olga Benário Prestes (1908-1942) 
Olga Benário foi uma militante comunista alemã. Esteve no Brasil como companheira de Luís Carlos Prestes e atuou no apoio à Intentona Comunista (uma tentativa de derrubar o governo de Getúlio Vargas realizada em 27 de novembro de 1935). Revolucionária, lutava para ver o fim das desigualdades e das injustiças sociais. A intentona fracassou e todos os organizadores, entre eles, Olga Benário e Carlos Prestes foram presos. Olga Benário, grávida, foi deportada para a Alemanha nazista, onde foi executada num campo de concentração.

Simone de Beauvoir (1908-1986)
A escritora francesa Simone de Beauvoir atuou como filósofa existencialista, ativista política, feminista e teórica social francesa. Autora de inúmeras obras, vale destacar o seu tratado O Segundo Sexo, de 1949, uma análise detalhada da opressão das mulheres e um tratado fundamental do feminismo.

Pagu (1910-1962)
Patrícia Rehder Galvão, mais conhecida como Pagu, foi uma escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista, cartunista, jornalista e militante política brasileira. Afrontou a sociedade da época com suas atitudes e roupas ousadas. Aos 20 anos, aproximou-se do círculo de intelectuais do movimento antropofágico. Participou ativamente de uma greve de estivadores na cidade de Santos, e foi a primeira presa política da história do Brasil. Depois de ser libertada, em 1933, partiu em viagem para a Europa e outros locais do mundo como repórter.

Madre Teresa de Calcutá (1910-1997)
Agnes Gonxha Bojaxhiu, também conhecida como Madre Teresa de Calcutá, foi uma missionária católica macedônia. O seu trabalho ganhou destaque pela atuação em prol às populações carentes do terceiro mundo. Em 1979, ganhou o Prêmio Nobel da Paz.

Katherine Johnson (1918-2020)
Katherine Johnson foi uma matemática, física e cientista espacial, que ajudou a colocar em órbita a Apolo 11, a nave que levou o homem à Lua. Seu trabalho ficou desconhecido do grande público durante anos, mas o lançamento do filme Estrelas além do Tempo, indicado ao Oscar em 2016.

Rosalind Elsie Franklin (1920-1958)
Rosalind Elsie Franklin foi uma biofísica britânica, pioneira na biologia molecular e uma importante pesquisadora inglesa do século 20. A cientista demonstrou que o DNA era uma dupla hélice. Porém, não obteve o reconhecimento no período, deixando o legado para James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins, que ganharam o Nobel de Medicina, no ano de 1962.

 

Margaret Heafield (1936)

Margaret Heafield Hamilton é uma cientista da computação, engenheira de software e empresária dos Estados Unidos. Foi diretora de engenharia de software para a Nasa. Foi diretora da Divisão de Software no Laboratório de Instrumentação do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que desenvolveu o programa de voo usado no projeto Apollo 11, a primeira missão tripulada à Lua.


Valentina Tereshkova (1937)
A russa Valentina Vladimirovna Tereshko foi a primeira mulher cosmonauta a viajar ao espaço, em 16 de junho de 1963. Ao retornar a Terra com fotografias do horizonte espacial, recebeu a condecoração de heroína da União Soviética, o título de a Ordem de Lênin e a medalha Estrela de Ouro.

Maria da Penha Maia Fernandes (1945)
Maria da Penha é uma farmacêutica e bioquímica cearense, mestra em parasitologia em análises clínicas. Sobrevivente da violência doméstica, sofrida durante um casamento de mais de 20 anos, teve de encarar anos de batalhas judiciais até conseguir a condenação de seu ex-marido. Em 2006, foi promulgada a lei nº 11.340/06, de combate à violência doméstica e contra a mulher, que recebeu o nome de Lei Maria da Penha.

Malala Yousafzai (1997)
Malala Yousafzai é uma jovem ativista paquistanesa, a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz (2014). Militante dos direitos humanos, sobreviveu a um atentado em 2012 por defender o direito das meninas de seu país de frequentar a escola.

Ester Sabino e Jaqueline Góes de Jesus
As pesquisadoras Jaqueline Góes de Jesus e Ester Cerdeira Sabino lideraram o grupo que sequenciou o genoma do primeiro caso de coronavírus no Brasil. No dia 26 de fevereiro, quando a população recebeu a notícia da confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil, as pesquisadoras iniciavam o trabalho de sequenciamento do vírus. O trabalho foi reconhecido mundialmente pela rapidez.
por Ana Paula Cardoso

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